terça-feira, 23 de março de 2010


Capa criada por Tavito

Capa criada por Tavito
Capa criada por Tavito




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(22 faixas em mp3 e capa/contra-capa criadas por Tavito)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


* todas as canções são de Apá Silvino (música) e Gilvandro Filho (letras)
Em todas, Apá Silvino (voz) e Adelson Viana (piano)

01 - ATÔNITO

Adormecer ao teu lado foi pura mágica
Até porque há muito eu só te via em símbolos
Tentei chegar a ti, mas só andei sonâmbulo
Até que resolvi deixar correr o pêndulo

Sentei perto da porta e me mantive plácido
Bebi da chuva fria que caía a cântaros
Imaginei sentir tua presença sólida
Mas só guardei nas mãos uma tristeza líquida

Pedi um abraço teu e recebi, atônito
Um beijo doce vindo de uma boca tépica
E continuei vagando no meu sonho ilógico
Que foi te amar de forma totalmente inédita

Agradeci a todos os meus deuses bárbaros
Jurei pagar com juros todos os meus dízimos

Eu não acreditei que algo tão insólito
Estava acontecendo de maneira atípica
Teu vulto transformado em carne e sexo explícito
Até que o sonho terminou, foi rápido

Já estava amanhecendo e eu me encontrei estático
Tentando me agarrar de uma maneira tímida
Ao nada que restava de uma noite tórrida
Ao que imaginei ser a verdade límpida

Pior foi acordar e ver teu rosto cândido
Que do porta-retratos me sorriu, tão cínica
Como se perguntasse de maneira hipócrita
Como estava eu depois de algo tão fantástico

Só fiz lavar o rosto e recolher a mágica
Na hora do café quis algo mais etílico

02 - ANTES QUE SEJA CEDO

Assim não tem jeito
Eu finjo que digo
Você faz que me entende
Não me convenço disso
Você naquilo mente
E a gente vai levando
Como Deus quiser

Difícil é saber
Como parar com isso
Deixar de se iludir
Quando mentir vira vício
Melhor nem tentar
Arcar enfim com o fim
Como a gente puder

Insistir é tão ruim
Tentar nem sempre ajuda
Antes que Deus nos acuda
Será melhor que sabe?

Ou deixar pra depois
Antes que seja cedo
Mesmo que vença o medo
E isso tudo se acabe

03 - IMPOSSÍVEL

Impossível
É o nome de uma cidade
Bem distante de ondo eu moro
Que me mata de saudade
E dá motivos quando choro

Impossível
Nunca foi felicidade
Quando muito foi desejo
Uma impossibilidade
A perseguição de um beijo

Impossível
É uma história mal contada
Tudo a se perder por nada
Um destino a se cumprir

Impossível
Uma ventania leve
Um chamado assim tão breve
À vontade de sentir

Impossível
Uma linha no horizonte
Uma névoa na campina
Um coqueiro, um rio, um monte
Uma luz na lamparina

Impossível
Dura só uma noite em claro
Fantasia que me tenta
Com o despertador eu paro
Já que o peito não agüenta

04 - CASO PERDIDO



O meu coração
Pediu pra você
Ter muito cuidado

Você não ouviu
Ou mesmo fingiu
Sofreu o coitado

E agora pra que?
Só sabe querer
Não quer nem me ouvir

Vive a procurar
Um beijo, um olhar
Qualquer por aí

Se o inverno bater
E o frio chegar
É choro sentido

Responda então
Se o meu coração
É caso perdido

E agora me diz
Se eu sou infeliz
Ou se é impressão

Um troço sem jeito
Que eu trago no peito
É um coração

05 - SÓ ME RESTA

Só me resta lhe dizer
Já que a festa acabou
Que o passado não passou
Que eu nem lembro do que fiz
Mas ficou a cicatriz
Que o meu rosto demarcou

Só me resta esperar
Outra noite, outra manhã
Outra ilusão pagã
Uma música perdida
Que me cure essa ferida
Essa paixão temporã

Quando o vento me contou
Eu nem pude acreditar
Fiz que nem era comigo
Mas o vento percebeu
E me impôs novo castigo

Trouxe o perfume da flor
Que cultiva em seus cabelos
Trouxe a sensação tardia
De que assim como a brisa
Pra mim voce voltaria

Só me resta imaginar
O que haveria de ser
Se, de repente, você
Por um motivo qualquer
Como faz toda mulher
Resolvesse aparecer

Só me resta confessar
Que por não saber do fim
E nem ser tão forte assim
Que eu não resistiria
Com você partilharia
O que ainda tenho de mim

06 - SOLITÁRIO FESTIVAL

No canto da sala, acendeu suas velas
Rezou por melhores noites e dias
Pediu proteção ao santo que podia
Tirou do baú suas aquarelas

Na sua inocência pensou: "sou artista!"
Deixou num cantinho o medo do mundo
Calou num momento e repirou fundo
Deixou pela sala dezenas de pistas

A noite chegou e ele nem viu
A lua brilhar em seu quintal
Nem bem, nem mal, apenas ele
Solitário festival...

Não repercutiu a sua prosa mansa
Não houve qualquer sinal da assistência
Não desanimou, teve paciência
Sentiu que era dele o canto e dança

Pediu a si mesmo um pouco de calma
Um gole de vinho, outro de coragem
Ao redor de si fechou a viagem
Apagou as velas, beijou sua alma

A noite chegou e ele nem viu
A lua brilhar em seu quintal
Nem bem, nem mal, apenas ele
Sólitário festival...

Já era manhã quando algo lhe disse
Que até o galo esqueceu de cantar
Jeito de regato e um pranto de mar
Pediu que a tristeza de leve saísse

Como num teatro, jurou que ouviu "bis"
Colheu duas rosas jogadas ao chão
Guardou o espetáculo em seu coração
E depois foi dormir muito mais feliz


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07 - ESTRELAS

Por toda a vida eu esperei estrelas
Sempre tive nso meus sonhos loucos
Um temor extremo de perdê-las
E um desejo de retê-las aos poucos

Toca noite eu sonhava com o vento
Escancarando portes e janelas
E em cada sonho, um acontecimento
Comemorado em festas paralelas

Quando me deito ainda rezo muito
Pra que o sonho não não me fuja à toa
Que seja um tema bom
Pago ou gratuito
Que a noite traga uma lembrança boa

08 - O ROSTO DO AMOR

Melhor viver
Sem ter que viver
Mentindo e só

Melhor supor
Que o rosto do amor
É lindo, e só

O amor que chega
Sem avisar
Que afaga o peito
Até afogar

Que faz sorrir
Que faz doer
Deixa a vida acontecer

Chega pra nós
Rompe com os nós
E quando se vê
Sumiu...

Bebe do céu
Brilha no mar
E sem porquê
Partiu...

Gotas do sol
E luzes do mar
Vão nos dizer

Onde se dar
O que pedir
E receber

Até que a noite
Bem devagar
Nos cubra e aponte
O que fazer

Pra o sol raiar
Pro mar encher
E eu encontrar você...

09 - PRA QUE?

Da inutilidade dos meus versos
Você nem quis saber
Da incapacidade dos meus sonhos
Você nem quis viver

Os meus arquitetados devaneios
E os meus solitários desenganos
Tanto que em vão improvisei
Você nem aí ... pra que?

E agora o que fazer com tanta estrela?
E o que molhar com os pingos que chovi?
Para que guardar no peito a flor mais bela?
Quem há de ouvir o que eu não escrevi?

Amores, se motivos de poema
Ou letra de canção
Acabam com um pé no sofrimento
Amores passam; o verso, não

No fim, a tudo que eu disse um dia
Imaginando alguma poesia
Você vai dizer: pra que?

E agora o que fazer com tanta estrela?
E o que molhar com os pingos que chovi?
Para que guardar no peito a flor mais bela?
Quem há de ouvir o que eu não escrevi?

10 - RECADO

Tenho um recado pra você
'Tá tão dificil lhe encontrar
Já fiz de tudo pra lhe ver
Bebi o sol, queimei ao mar

Nenhum bilhete eu quis deixar
Pra que palavras pra dizer
O que eu pretendo lhe falar
Pode aceitar, não vai doer

Andei por tanto temporais
Deixei saudades e senti
No sonho breve dos quintais
Nas noites em que renasci

Vi que não ia mais passar
Tanta saudade de você
E no momento de lhe achar
Achei que fosse me perder

Tenho um recado pra você
'Cê sabe aonde me encontrar
Se não quiser, pergunte ao mar
Que ele o caminho vai dizer

Sentir a vida é arriscar
Viver é não se arrepender
Deixa que eu te ame devagar
É o meu recado pra você.

11 - MARIA



Foi só Maria, um dia, anoitecer
E o sol em sua mão deitar
E o vento um beijo manso lhe soprar
Pra toda a terra adormecer

Foi só Maria se deixar chover
E o seu perfume pelo ar
Fazer viver, ao vento se entregar
Pra terra enfim agradecer

Tudo que faz a natureza ser
A vida que ela trama
Tudo o que existe mesmo sem querer
Maria nos emana

O céu, a chuva que cair
O sol, a noite que virá
Basta Maria decidir
E a vida a arte imita

12 - DIA E HORA

Quando estou só
Tenho a mania de cantar
Quanto estou triste
Existe em mim
Uma mania de calar
E escutar com todo jeito
O que o peito tem a me dizer
E um anjo atende sempre que eu chamo
Quando penso em ti
Ele me diz que te amo, amo, amo

Não estou aí
Mas nunca saí do teu lado
Do meu sem fim
Eu canto assim
Canto calado
Pedindo sempre por ti
Para que nunca esqueças
De que mesmo longe eu te chamo
Hoje eu pensei em ti
E vim dizer que te amo, amo, amo

A dor chegou
Mas logo vai embora
Choveu por aqui
Mas o sol brilha lá fora
Pra te amar
Não tem dia nem hora

13 - APENAS UM NATAL

Caixa de presente
Laço encarnado
Papel laminado que amassou
Jeito encabulado
Voz quase sumida
Tudo nesta vida
É o que me dou

Um presente simples
Lembrança barata
E o que me mata é só saber
Que toda essa festa
Toda essa embalagem
Foi só uma miragem
Pra você

Hoje é qualquer dia
Quase fim de ano
Um engano feito outro qualquer
Meia na janela
Tem vinho na taça
Cada um que faça
O que quiser

Árvore enfeitada
Melodia breve
E tem até neve artificial
Tudo de encomenda
Crença programada
É só uma madrugada
De Natal

14 - DUAS PALAVRAS

Duas palavras
Podem traduzir quase tudo
Ditas ao nada
Podem resolver a questão
Monossilábicas
Pronunciadas baixinho
Feito um carinho
Saídas de um coração

Quase sussuros
É pra quem escuta o silêncio
E guarda lembranças
De sílabas ditas ao léu
Perdem sentido
Se pretendermos traduzi-las
Ou induzi-las
Querendo que assumam um papel

Calo ou não
Escuto somento
Cato sementes
Eis a questão
Digo ou não digo
Apenas sugiro
Baixinho no ouvido
Do seu coração

Gritos pra nada
Gemidos suaves pra tudo
Deixo na boca
Apenas o que quis dizer
Palavra que lavra
O campo do seu sentimento
Breve momento
Entre se dar e receber

Uma poesia
Saída em plena madrugada
Escancarada
A porta do peito agradece
Gotas de sonho
Idéias latentes na noite
Beijam a fronte
E, então, o coração agradece


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15 - OUTRA MADRUGADA

Já passa da meia noite
Já foram embora os faróis
Os automóveis da rua
E os galos pelos quintais
É só silêncio no mundo
É madrugada no cais
Os barcos jazem esquecidos
Meninos adormecidos
Descansam sobre os jornais

Enquanto a vida se deita
Lá fora o tempo se faz
Os girassóis são do dia
À noite nem brilham mais
Nos becos, gatos vadios
No peito, paixão atroz
Distante, alguém faz de conta
E leva a sua vida tonta
Como se estivesse a sós

Ainda longe a alvorada
Virada pelo avesso
Virá trazer novos raios
O mar responde em tropeço
Daqui pra lá tanta coisa
Pra alguém se desapegar
Um coração sem mistério
Alguém se levando a sério
Espera o dia raiar

Um violão ainda vive
Resiste e geme calado
Um seresteiro fantasma
Sozinho, fica acordado
Pra que, se ninguém lhe ouve
Talento posto pra nada
Vai ver só perdeu a hora
Caiu em si, vai embora
Atrás de outra madrugada

16 - DEUS NA PRAIA

Gravou na pedra os seus sentimentos
Para mais tarde ler tudo em voz alta
Olhou pro alto, de algo sentiu falta
...E cantou um por um todos os sete ventos

Calou no peito uma vontade morna
De dissipar possíveis euforias
Assegurou-se quanto às alegrias
...Sabendo que uma dor de amor sempre retorna

Pediu passagem à lua que era cheia
Aventurou-se à paixão mais nova
Crescentemente viu-se em plena areia
...Minguando sempre que se colocava à prova

Deitou na praia e não sonhou com nada
Arrebentou na onda o próprio peito
Silenciou. E entre medo e respeito
...Deixou apenas desfilar a madrugada

Dormiu no chão e acordou com sede
A água da chuva transformou-se em vinho
Não era um deus mas criou seu caminho
...E após os sete dias descansou na rede

Pediu passagem à lua que era cheia
Aventurou-se à paixão mais nova
Crescentemente viu-se em plena areia
...Minguando sempre que se colocava à prova

17 - ANOITECEU



Morre o sol
Perto da hora de Maria
A cidade de prepara pra viver
Porque a noite é o sonho da cidade
Parindo a felicidade
Para depois o dia vir nascer

Seis da tarde
Nem é noite, nem é dia
E o meu peito se prepara pra viver
Porque o sonho é o parto do poema
Gera o mote e cria o tema
Sopra o verso e deixa ele crescer

Não se sabe
O que é mar e o que é poesia
Quando a noite se espreguiça sem querer
Porque o mar é o berço de todas as luas
Acalenta estrelas nuas
E nos faz da vida se esquecer

Horizonte
Às seis da tarde é só magia...

18 - DEPOIS DO BEIJO

Ultimamente, de tanto pensar
E de arriscar com timidez
Frases inúteis ao vento
Palavras fúteis ao mar
Restou-me um sentimento comportado
Sonolento e abandonado
Que pela vida se perdeu

E tudo isso foi por causa de um beijo
Que à essa altura já nem sei quem deu

E fui atrás de um motivo para amar
Ou de um bem qualquer, talvez
Entre dorido e aflito
Eu me perdi no vendaval
No olho de um ciclone tropical
Ou num arquivo corrompido
Onde guardei um verso seu

E tudo isso foi por causa de um beijo
Que à essa altura já nem sei quem deu

O meu amor pediu-me pra ficar
Bicho teimoso, eu nem respondi
Só esperei sentado
Fui mudo e vim calado
Com força de quem crê eu não cedi
Inutilmente eu persisti
Com o desencanto de um ateu

E tudo isso foi por causa de um beijo
Que à essa altura já nem sei quem deu

19 - DIA DE LUA



Hoje anoiteceu mais cedo
Venci meus medos, corri pra janela
Uma noite assim, tão clara
Minha canção embala
Na lembrança dela

Hoje não é qualquer dia
Minha alegria tem explicação
Hoje faço a minha festa
Cantando seresta
Com o meu violão

Cheia de tanta beleza
Ela é a natureza
Quando quer brilhar
Branca de todas as cores
Revigora as flores
E conduz o mar

Nova, a timidez esconde
Mas eu sei onde
Posso lhe rever
Cresce e o meu peito invade
Quando dá saudade
Do meu bem querer

Ela é sempre a mesma lua
Soberana e nua, sem nenhum pudor
Mãe de todas as estrelas
Sem ser uma delas
Não lhes nega amor

Oferece generosa
Ao verso e à prosa a sua inspiração
Hoje a noite é diferente
Pra quem vive e sente
Com o coração

20- O QUE VIRÁ



Um céu azul ameaçou me cobrir
E um vento bom começou a soprar
E essa luz que eu nem sempre compreendi
Onde ela vai me levar

Aquela estrela eu vi piscar pra mim
Ou era então um flerte com o luar
Até a chuva mansa resolveu cair
Pelo prazer de me molhar

Foi de manhã que o sol se derramou
E um encantamento azul se estendeu no mar
Pra receber o que virá
Pra receber
Tudo que vai me esperar

Pra que tentar saber tanto porque
Melhor cantar até anoitecer
Pergunte ao mar e ele vai dizer
Que sempre existe estrela para sonhar

Talvez no céu, talvez no mar
Qualquer estrela existe para brilhar

Talvez no céu, talvez no mar
Qualquer estrela só existe para brilhar

21 - VIVER SEM TI

Te vejo amanha
Te vejo depois
Mais vale te ver
Mesmo não sendo a sós
Com tantos olhares
Nos mesmos lugares
Em volta de nós

Te vejo no sim
Te vejo no não
Nas cordas de aço deste teu violão
Que enfim compartilhas
E onde tu dedilhas o meu coração

Te vejo talvez
Quem sabe dizer
Quem pode sonhar
Ou mesmo prever
Não sai no jornal
O que pode afinal
Nos acontecer

Te vejo afinal
Quando me assaltar
Mais uma ilusão
Ou mais um carnaval
Quem sabe até
Numa hora qualquer
Do juízo final

Te guardo pro fim
Te vejo sair
E na madrugada
Te deixo partir
É meu jeito, aliás
De te amar sempre mais
E de viver sem ti

22 - SINAL DE CAIS




Nada existe que o perdão não cure
Ou que o coração não se desmanche
Ao ouvir uma canção que dure
Até o amor chegar
Sem ter o que provar
Sem gosto de revanche

Que o sofrimento não imprima
Marca que o tempo não apague
Quando, enfim, o peito desanima
Até sumir o olhar
Perdido em frente ao mar
Na onda que o afague

Eu pensei em mil noites perdidas
Eu jurei não repeti-las mais
Deixei escrito que não ia atrás
De dor antiga, ou de velhas feridas

Hoje eu quero descansar na praia
Revolver em todos os litorais
Uma vaga brisa, um sinal de cais
E esperar que o peito não me traia
...jamais

Nada existe que o perdão não cure
Ou que o coração não se desmanche
Ao ouvir uma canção que dure
Até o amor chegar

Que o sofrimento não imprima
Marca que o tempo não apague
Quando, enfim, o peito desanima
Até sumir o olhar

Sem ter o que provar
Sem gosto de revanche
Perdido em meio ao mar
Na onda que o afague

Eu pensei em mil noites perdidas
Eu jurei não repeti-las mais
Deixei escrito que não ia atrás
De dor antiga, ou de velhas feridas

Hoje eu quero descansar na praia
Revolver em todos os litorais
Uma vaga brisa, um sinal de cais
E esperar que o peito não me traia
...jamais



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